14 de abril de 2013

O Velho Jovem

Tão suave
Tão sorrateiro
Veio assim, num fim de tarde
Abalou os ossos
Tocou os sentimentos

O que é?
O que há?
O que houve?
Não é, não foi, talvez não será.
O tempo não se aplica aqui

Folhas caídas em tons de sépia
Um frio vento soprado do sul
Olho para o céu
O Cruzeiro do Sul parece sussurrar palavras
Não entendo elas

A felicidade está ali
A tristeza está ali
O amor
O ódio
Tudo entrelaçado

Velhas almas
Jovens carnes
Dois eternos
Experiente e Inexperiente são
Inexplicável, Estranho

Um manto negro desceu majestosamente
Sobre a mente escrivã
Sobre a alma sentimental
Naquela tarde em que os pássaros apareceram
Voando em torno do Velho Jovem

Talvez estivesse apenas melancólico
Talvez os pássaros estivessem ali para tirar este sentimento
Voando de forma audaz
E tanto faz
Porque hoje foi apenas uma tela acabada
E uma nova começará a ser pintada
Tendo acabado uma arte
Outra o aguarda

Em tons de flautas
Pedidos de liberdade
O cantarolar dos pássaros
Aquele dia se foi
E o sussurro de luz apenas disse:

-Abra suas asas, forte pássaro. Seja forte como o experiente Velho num corpo de um Jovem e alcance a liberdade. As trevas não conseguem se alimentar disso.

por Ronaldo Filho

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